domingo, 16 de novembro de 2008

Blindness

Olá Cinemaníacos!

O filme que hoje trago, Blindness de Fernando Meirelles (The Constant Gardener e Cidade de Deus), é um dos melhores que já vi até à data.
Tudo nesta adaptação da obra de Saramago é fenomenal, com destaque para a fotografia de César Charlone (The Constant Gardener e Cidade de Deus).
O conceito do filme é aterrador, este é uma alegoria sobre a capacidade humana de lidar com situações extremas, neste caso, uma epidemia de cegueira que ataca uma cidade, ou o mundo, ou um espaço, nunca definido, à semelhança das personagens, todas sem nome.
Este é, contudo, um dos filmes mais perturbadores que vi. As cenas da guerra entre as camaratas do hospital, geram um sentimento de revolta inimaginável. Mas mais perturbador ainda é quando nos apercebemos que este filme não se trata de um trabalho de pura ficção mas sim de um retrato fiel da realidade humana, uma sociedade que por trás de uma máscara adquirida pelo estatuto social, esconde um lado primitivo e selvagem, uma prova que somos tão ou mais selvagens que os animais ditos selvagens. Rapidamente chegamos à conclusão que caso aquele cenário se concretizasse na nossa realidade social, os comportamentos que os humanos adquiririam seriam aqueles, uma selvagaria sem dó nem piedade.
As interpretações também são fenomenais, não houve um único actor que desapontasse e não cotribuisse para os constantes choques que vamos recebendo, Julianne Moore (Savage Grace e Next), voltou a provar que merece mesmo um Óscar, Mark Ruffalo (Just Like Heaven e 13 Going on 30), continua a mostrar que tem um talento irrefutável e que o lugar dele é nos bons filmes que chegam da América. Outros actores com papéis menores mas que deixaram bem claro o seu talento, foram Alice Braga (Cidade Baixa e Cidade de Deus), Gael Garcia Bernal (Babel e Diarios de Motocicleta) e Sandra Oh. É ainda de destacar o quão bom actor é o infelizmente esquecido Danny Glover (Saw e The Rainmaker) que merece voltar em grande num bom papel.

10/10

Obrigado pela visita, bons filmes e voltem sempre!

O trailer que não chega para mostrar a dimensão do filme:

2 comentários:

Anónimo disse...

Gosto da maneira como escreves,da opinião que dás, do que transmites... Só não gosto dos filmes que vez! Tens jeito rapaz!
Este filme é extraordinário, parabéns pela escolha, nunca pensei.Procura ver melhores filmes, volto para ver se percebeste a mensagem!

Henrique disse...

Decididamente não gosto de anónimos... Desculpa Miguel, o teu blog é livre, mas vou ter de deixar uma mensagem para alguém que sob anonimato tenta passar uma mensagem:
"A discórdia é sermos obrigados a estar em harmonia com os outros. A nossa própria vida é o que há de mais importante. Agora, se quisermos ser pedantes ou puritanos, podemos tecer as nossas considerações morais sobre a vida dos outros, mas estas não nos dizem respeito."
Oscar Wilde